Book Chapter
Authorship
Date
2012
Publishing House and Editing Place
Cultura Médica
Book
Essencial em Olho Seco
(pp. 150-169)
Cultura Médica
Cultura Médica
ISBN
978-85-7006-499-8
Summary
Information provided by the agent in
SIGEVA
Osmolaridade da lágrima: é uma prova que determina o número de moles de partícu- las osmoticamente ativas por litro de lágrima (mOsm/litro). A medida da osmolaridade é uma das melhores provas diagnósticas de ce- ratoconjuntivite seca, principalmente nos es- tágios iniciais da doença, quando existem poucas alterações histológicas na superfície ocular. Também é muito útil para a correla...
Osmolaridade da lágrima: é uma prova que determina o número de moles de partícu- las osmoticamente ativas por litro de lágrima (mOsm/litro). A medida da osmolaridade é uma das melhores provas diagnósticas de ce- ratoconjuntivite seca, principalmente nos es- tágios iniciais da doença, quando existem poucas alterações histológicas na superfície ocular. Também é muito útil para a correlação entre a tonicidade da película lacrimal e a pa- togênese da doença. Sabe-se que a osmolari- dade lacrimal dos pacientes com olho seco é maior do que nas pessoas normais em virtude de menor produção lacrimal e maior evapora- ção do filme lacrimal, e que seu valor aumenta com a gravidade da doença. As alterações que essas lágrimas hiperosmolares produzem na córnea e conjuntiva são de valor duvidoso na patogênese da doença. A disfunção das glân- dulas de Meibômio, independente da existên- cia ou não de alterações das glândulas lacri- mais, também pode aumentar a osmolaridade da película lacrimal e produzir um quadro de olho seco. Acredita-se que a osmolaridade da película lacrimal seja uma característica de- pendente da concentração iônica e, portanto, do consequente aumento da concentração de cloreto de sódio na lágrima. Está relacionada de forma inversa ao fluxo secretado pelas glândulas lacrimais, ou seja, a diminuição da produção da camada aquosa pode tornar a lá- grima hipertônica. Segundo DEWS, a altera- ção da osmolaridade da lágrima está relacio- nada diretamente com a fisiopatogenia do olho seco.7 Os valores de normalidade reco- mendados são acima de 316 mOsm/litro,6,7,80 porém outros valores também são descritos.81 No passado, a medida da osmolaridade da lá- grima era considerada como padrão ?ouro?, porém tem caído em desuso devido à baixa re- produtibilidade e necessidade de suporte de um técnico bem treinado. Novos equipamen- tos têm sido estudados para tornar o teste mais reprodutível. A prova da osmolaridade está sujeita a di- versos fatores de erro em sua coleta, princi- palmente por causa do lacrimejamento refle- xo. Para isto, as amostras da lágrima (cerca de 0,2 μλ) devem ser coletadas do menisco la- crimal inferior com o auxílio de micropipetas especialmente desenhadas em forma de ?L?, para penetrar no menisco sem tocar o bulbo ocular ou as pálpebras, evitando-se a estimu- lação do lacrimejamento. Outro problema pode estar no armazenamento, devido à eva- poração. Deve-se conservar a amostra da lá- grima em um tubo específico para evitar a evaporação. A medida deve ser realizada ime- diatamente após sua obtenção. A osmolarida- de é medida pela diminuição do ponto de con- gelamento, utilizando-se um osmômetro. Perfil proteico: com o advento da tecno- logia atual, pesquisadores têm voltado suas atenções para meios mais sofisticados de ava- liação do produto proteico presente em dife- rentes doenças. O perfil proteico tem sido ana- lisado por métodos como espectrometria de massa (MALDI), ProteinChip (SELDI)82 ou até de forma específica e quantitativa, com ELISA83 e outros. Entre as proteínas mais im- portantes estão: lisozima, lactoferrina, albu- mina, aquaporina e outras. Lisozima: a lisozima é uma enzima produ- zida pela glândula lacrimal e é um componente abundante da lágrima normal, alcançando cerca de 30% das proteínas da lágrima. Possui função antibacteriana, provocando hidrólise das uniões beta 1 a 4 glucosídicas dos mucopolissacarídeos da parede celular dos micro-organismos e como consequência a lise celular. Também está pre- sente no plasma, urina, saliva, secreção nasal, vaginal, sêmen e no leite materno. A medida dos níveis de lisozima avaliam a qualidade da lágrima. Sua concentração na lágrima está re- duzida nos pacientes com olho seco por déficit aquoso e muito diminuída nos pacientes com síndrome de Sjögren. Quanto menor a concen- tração de lisozima lacrimal maior será o risco de infecção da superfície ocular. Pode ser medida por várias técnicas bioquímicas, como a eletro- forese, eletroimunodifusão, ELISA, imunodifu- são radial e difusão em ágar. Valores variam de acordo com a técnica bioquímica utilizada. A li- sozima lacrimal está diminuída no idoso e em algumas condições patológicas, como nas con- juntivites e no olho seco.84 De forma indireta, utiliza-se análise bacte- riolítica para calcular sua concentração. A amostra de lágrima é obtida por meio de pa- péis de filtro circulares de um diâmetro deter- minado, que são aplicados no fundo de saco conjuntival. Uma vez embebidos, os papéis são colocados em placa de ágar com Micrococ- cus lysodeikticus. A lisozima difunde-se de forma radial através do ágar e forma um halo de lise. O diâmetro do halo é proporcional à concentração de lisozima (Fig. 14). Lactoferrina (Lactoplate): a lactoferrina é uma proteína produzida principalmente pe- los ácinos da glândula lacrimal. Pode ser de- terminada por eletroforese ou imunodifusão Métodos Diagnósticos 53 Fig. 14 ? Determinação da lisozima pela inibição do Mi- crococcus lysodeikticus em placa de ágar. radial. Seus valores variam de acordo com a técnica utilizada. A lactoferrina também está diminuída no idoso e em algumas condições patológicas, como o olho seco.83,85 Representa um dos principais componentes de defesa não específica da superfície ocular. Seu mecanismo de ação está relacionado à po- tencialização da função das células natural kil- ler e em privar (por competitividade) as bacté- rias de ferro para seu metabolismo, porém suas funções e importância nos mecanismos de defesa da superfície ocular ainda não estão completamente establecidas. A lactoferrina po- de ser determinada por eletroforese ou imuno- difusão radial (Fig. 15) ? seus valores variam de acordo com a técnica utilizada. IgA lacrimal: é a imunoglobulina predo- minante na secreção das mucosas (conjunti- val, oral, respiratória, intestinal), e por isso também é conhecida como IgA secretória. Previne a aderência das bactérias na superfí- cie das mucosas, neutraliza vírus e toxinas do filme lacrimal, regula o desenvolvimento da flora normal e previne a colonização pela flora patógena. Também pode fixar-se às células efetoras da reação alérgica (eosinófilos) e pro- vocar sua degranulação. 54 Superfície Ocular ? Córnea ? Limbo ? Conjuntiva ? Filme Lacrimal Fig. 15 ? Determinação da lactoferrina por imunodifusão radial. Para sua determinação são utilizadas pla- cas de imunodifusão radial (Fig. 16) que con- tém o antissoro específico para a proteína a ser estudada. Nestas placas são depositados os papéis de filtro previamente embebidos em lágrima. Os pacientes com conjuntivites virais, por clamidias ou por bactérias apresentam níveis de IgA lacrimal aumentadas. Nos pacientes com olho seco, por outro lado, sua concentra- ção na lágrima está diminuída. IgE na lágrima: a IgE desempenha uma função regulatória na resposta alérgica ao fi- xar-se a seu receptor específico na membrana celular dos mastócitos e eosinófilos. Quando a IgE é ativada por um alérgeno específico, dá-se início a fase efetora da reação alérgica com a liberação de mediadores e fatores infla- matórios responsáveis pelos sinais e sintomas da alergia ocular. Os níveis de IgE estão elevados na conjun- tivite alérgica sazonal, embora esta elevação seja ainda mais significativa na ceratoconjun- Fig. 16 ? Determinação de imunoglobulina A (IgA) lacri- mal por imunodifusão radial. Quanto maior o halo de in- munodifusão, maior é a concentração de IgA na lágrima. tivite primaveril. A medida da IgE é realizada, nos laboratórios, por métodos imunoenzimáti- cos (ELISA). No mercado existe um mini- ELISA para ser feito durante a consulta médica (Touch-Tear System) e, recentemente, já co- mercialmente disponíveis, provas de detecção de IgE semelhantes ao teste de Schirmer (Lacrytest, Adiatec SA), mas cuja eficácia ain- da necessita de avaliação.
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OHLO SECO